Circuito Viajazz 31/08/14

A tarde do próximo domingo, dia 31 de agosto, será de festa para os amantes da música de altíssima qualidade. O Circuito Vijazz apresenta em Juiz de Fora uma programação para ninguém botar defeito: as pratas da casa, Nota Jazz e Trio O’Clock e o internacional Shawn Holt And The Teardrops.

A largada será dada pelo Instrumental Nota Jazz : Salim Lamha (Guitarra), Mário Mendes (Trompete) e Adalberto Silva (Baixo).

Em seguida se apresenta o Trio O’Clock: Alexandre Scio (Guitarra), Messias Lott (Baixo) e Pedro Crivellari (Bateria).

Encerrando o espetáculo com chave de ouro, Shawn Holt (filho do lendário blueseiro Magic Slim, falecido em 2013 (Guitarra e Vocais) And The Teardrops: Levi Willian (Guitarra e Vocais), Christopher Beidron (Baixo) e Vern Taylor (Bateria e Vocais).

Será que ainda há alguém pensando em ficar hibernando em casa até a manhã de segunda-feira? Só se for muito ruim da cabeça ou doente do pé.

Leonor Falcão

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Leonor Côrtes Falcão

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Sim, o jazz está bombando em Praga (15/06/2014)

Em meu recente périplo pelo Leste Europeu surpreendi-me agradavelmente ao constatar o bom gosto musical vigente. É isso mesmo: eles ainda não foram atingidos pelo lixo musical do lado de cá! Seja em apresentações em praças, seja em bares e restaurantes com música ambiente ou ao vivo, a alta qualidade impera.

Em Praga, onde há inúmeros clubes de jazz, tive a satisfação de conhecer o lendário Reduta Jazz Club, que funciona desde 1958, no coração da cidade. Com uma decoração ao mesmo tempo chic e descolada, o Reduta apresenta uma programação intensa, que vai do primeiro ao último dia de cada mês, sempre com atrações diferentes. Músicos de renome internacional já se apresentaram por lá, como Dave Brubeck, Tony Scott, Acker Bilk, Chris Barber e Winton Marsalis. Entre as fotos de VIPs que visitaram o local, encontra-se uma  dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Bill Clinton. No bar propriamente dito, onde se pedem as bebidas, o chope é extraído de um saxofone original, adaptado como chopeira.

Na noite em que lá estive, em um domingo, apresentou-se a Magnum Jazz Big Band, formada por jovens e talentosíssimos músicos, sob a batuta de um maestro igualmente jovem e talentoso. O clima de cordialidade  e descontração reinante entre todos eles foi de chamar a atenção. As brincadeiras (em tcheco, claro), estenderam-se também ao cantor e à cantora (excelentes), integrantes da banda. Com formação clássica de cinco saxofones (dois altos, dois tenores e um barítono), quatro trompetes, quatro trombones, piano, guitarra, baixo e bateria, a Magnum toca jazz moderno, swing, funk, jazz rock e ritmos  latinos.

As três horas de show, que se poderia a princípio prever como cansativas, passaram rápido, muito rápido. Foi só fechar os olhos, viajar e curtir aquele som maravilhoso, como se estivesse sonhando. E que bom foi despertar desse sonho e certificar-me de que não se tratava de um sonho e sim da realidade! O jazz é realmente a música dos deuses!
Foi com emoção que ouvi a reverência ao nosso artista mor, Tom Jobim, através de Garota De Ipanema. É impressionante como sua obra é conhecida e executada nos quatro cantos do planeta. A ela juntaram-se :

Night In Tunísia (Dizzy Gillespie / Frank Paparelli)
Mack The Knife (Kurt Weil / Bertold Brecht)
Rock Swings (Paul Anka)
Gonna Fly Now ( Tema De Rocky, Um Lutador ) (Bill Conti)
Satting Doll (Duke Ellington / Billy Strayhorn / Johnny Mercer)
Georgia On My Mind ( Hoagy Carmichael/ Stuart Gorrell )
Hit The Road, Jack (Percy Mayfield)
Somebody Loves Me (George Gershwin / Ballard Mac Donald /Buddy DeSylvia )
Blues In The Night (Johnny Mercer / Harold Arlen)

Um repertório desse naipe não se ouve todo dia, não é mesmo?

O público presente, composto de tchecos e turistas ( inclusive japoneses, evidenciando o seu já sobejamente conhecido bom gosto musical ) se portou à altura do espetáculo. De uma coisa tenho certeza: todos foram dormir, como diria Odorico Paraguaçu, com a alma lavada e enxaguada.

Abaixo uma amostra da banda e o Facebook da mesma:

http://www.facebook.com/magnumjazzbigband

Leonor Côrtes Falcão

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Um sonho realizado

Assistir a um show de Rosa Passos ao vivo era um sonho antigo, que eu ainda não tinha conseguido realizar. Somente pessoas que se interessam muito por música são capazes de aquilatar o quão importante é para um fã ver um ídolo de perto, tocá-lo e falar com ele. E foi isso que aconteceu domingo retrasado, 9 de fevereiro de 2014, no TribOz, na Lapa, Rio de Janeiro. A casa abriu excepcionalmente no domingo para receber, conforme foi denominada por um dos presentes, a Deusa da Voz.

Mike Ryan, o proprietário, contou para o público que, em 1979, quando ainda vivia na Austrália, ouviu um disco da Rosa e ficou encantado. E que para ele era motivo de grande emoção recebê-la em sua casa de shows, o que o levou às lágrimas.

No contexto intimista e silencioso do TriBoz  e para uma platéia totalmente embevecida, a diva apresentou um show de altíssimo padrão, em que homenageou Dorival Caymmi, Tom Jobim e Djavan. Além de ser uma das maiores cantoras contemporâneas brasileiras e, provavelmente a cantora mais internacional do Brasil, Rosa cercou-se acertadamente de uma banda fantástica, constituída por alguns dos melhores instrumentistas do país, a quem ela carinhosamente se referia como ” meus meninos”, a saber:

Lula Galvão- violão e arranjos ( belíssimos, todos eles )
Ivan Sacerdote-clarinete ( afilhado de Rosa )
Jorge Hélder – baixo acústico ( dispensa comentários )
Rafael Barata- bateria  ( incrível )
Fábio Torres – piano (integrante do Trio Corrente, que recebeu há pouco o Grammy de melhor CD de Jazz Latino – Song for Maura – em parceria com ninguém mais , ninguém menos que Paquito de Rivera).

Muito aplaudido, também, ao ser citada sua presença na platéia, o renomado percussionista, baterista e compositor, Chico Batera.
Então, é ou não é de enlouquecer ver e ouvir essa turma toda junta, em total integração e com a alegria estampada em cada rosto?

Do repertório constaram, entre outras:

Marina  Vestido De Bolero  Samba Da Minha Terra  / Dorival Caymmi
Copacabana. Meditação  Desafinado  /Tom Jobim
Meu Bem Querer  A Ilha  Álibi. / Djavan

Totalmente solta no palco e feliz da vida por estar aí, segundo suas próprias palavras, Rosa fez vários scats, o que geralmente não ocorre em seus CDs. E ela ainda teve a humildade de perguntar: “Gente, vocês estão gostando do show? Se não estiverem, me falem, hein?”

Gostando só, não, Rosa! Adorando! Você é demais.

Leonor Côrtes Falcão

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Alzira Bianco, uma verdadeira DIVA

As noites de quinta-feira têm sido muito especiais para o panorama musical juizforano, com as apresentações da cantora Alzira Bianco no aconchegante e chique Restaurante Savoir Faire, no Bairro São Mateus.

Há ali uma conjunção perfeita entre som e ambiente: uma casa pequena, com a música no volume ideal (o que é muito difícil de se encontrar), que permite aos presentes realmente curtir o show, sem ter que se comunicar aos berros com os companheiros de mesa ou com o garçom.

E a Alzira, vamos convir, com sua voz poderosa, grave e ao mesmo tempo suave, passeando com maestria por diversos estilos musicais, é o que há. Dona de uma interpretação personalíssima e marcante, ela torna cada canção ainda mais agradável de se ouvir.

Do repertório de altíssima qualidade contaram, entre outras:
Samba de Verão (Marcos Valle)
A Noite Do Meu Bem (Dolores Duran)
Nunca (Lupiscínio Rodrigues)
Nervos De Aço (Lupiscínio Rodrigues)
Wave (Tom Jobim)
Cotidiano (Chico Buarque)
Gente Humilde (Chico Buarque)
Estácio ( Luiz Melodia)
Sábado em Copacabana (Dorival Caymmi e Carlos Guinle)
De Conversa em Conversa (Hermínio Bello de Carvalho e Paulinho Tapajós)
Casaco Marrom (Danilo Caymmi,Guarabira e Renato Correia)
I’ve Got You Under My Skin (Cole Porter)
The Man I Love (Ira e George Gershwin)
This Masquerade (Leon Russel)
Speak Low (Kurt Weil)
Don’t Explain (Damien Rice)
Cry Me A River (Arthur Hamilton)
La Mer (Claude Debussy)
Lá Vie En Rose (David Foster e Edith Piaff)

Destaque ainda para a presença, na noite, do Chorão Toinho Gomes, que comentava sobre o lançamento de seu apreciado CD Choros.

Um show desse naipe, intimista e refinado, com a intérprete certa no local certo, só poderia ser um sucesso.

Parodiando meu filho, o doublé de Engenheiro  e guitarrista, “Alzira is God!”.

Leonor Côrtes Falcão

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Jazz em Sampa

A vida noturna de São Paulo é fervilhante, todos sabem. E a Vila Madalena, famosa por concentrar um sem número de bares e restaurantes, é um retrato vivo dessa efervescência. Opções para todas as tribos e todas as idades.

É lá, no coração do bairro boêmio, que fica o descolado Madeleine Jazz Club, à Rua Aspicuelta, 201. Extremamente bem decorado, no estilo rústico chic, o Madeleine ocupa uma construção antiga onde, em cada um de seus cinco espaços, pode-se ouvir a música com a mesma intensidade. O excelente som ambiente (Jazz, é claro), o bom atendimento e um cardápio com sugestões interessantes e uma capa pra lá de original, tornam muito agradável a espera pelo início do show, assim como pelos sets subsequententes, A capa do cardápio traz citações de grandes jazzistas, que refletem perfeitamente a essência do Jazz, o que tem tudo a ver com a essência do jazz:

“Never play a thing the same way twice ” – Louis Armstrong
“You can play  a shoestring if you’re sincere” – John Coltrane
“I know what  I’ve done for music, but don’t call me a legend, just call me Miles Davis”
“Jazz has always been like the kind of a man you wouldn’t like your daughter to associate with” – Dizzy Gillespie

Aos sábados a atração no Madeleine é o Trincheira MPB Jazz, formado por Tico de Godoy (sax alto), Débora de Aquino (sax tenor), Henrique Pereira (baixo elétrico), Jefferson Ilário (bateria) e Janete D’ Alonso (teclado). Criada em março de 2008, a banda conta com arranjos inéditos e exclusivos, carinhosamente  elaborados para ela. Com a proposta de ser uma espécie de ” linha de frente”  da boa música, os batedores  do Clam, Escola de Música do Zimbo Trio, são denominados ” soldados da harmonia e defensores da cultura musical”.

Com um estilo muito pessoal, o Trincheira, liderado pelo simpaticíssimo Tico de Godoy, apresenta um show que mescla ritmos nordestinos, MPB, Jazz Contemporâneo e Jazz Clássico na medida certa. Inclusive aqueles que não entendem muito bem ou não têm  grande conhecimento de Jazz são também arrebatados pela energia super positiva que rola durante toda a apresentação entre os integrantes do grupo.

Do repertório da noite constaram, entre outras:
Zanzibar- Fausto Nilo
Tema de O Bem Amado- Toquinho e Vinícius
All of me- Gerald Marcs e Seymour Simons
Batráquio- Amilton Godoy
Moon and Sand – Chet Baker
Wave – Tom Jobim
Green Dolphin Street – Bronislaw Kaper e Ned Washington
Stolen Moment – Oliver Nelson
Só Danço Samba – Tom e Vinícius
Flor de Lis –  Djavan
Cravo e Canela – Milton Nascimento

Destaque para Tico de Godoy (sax alto), que esbanja talento e alegria e que realmente curte e ama a música, e para Jefferson Ilário (bateria), que em momento algum perdeu o bom humor, embora as fortíssimas luzes incidentes sobre ele o fizessem transpirar e pingar de suor.

O tempo firme, a gentileza de todos os que lá trabalham (de manobristas a garçons) e é claro, a excelência da música, tornaram a noite inesquecível. Um show alegre, divertido e gostoso de ver e ouvir. Um show delicioso, enfim.

E como disse o Tico no início e no final  da apresentação: “Nós, do Trincheira, continuamos na eterna batalha pela boa música. Permitam que esses soldados zelem pelo bem estar de seus ouvidos e almas”.

É isso aí!

Abaixo, o link de um vídeo de uma de suas apresentações:

http://youtu.be/wYs-obHHRN0

Leonor Côrtes Falcão

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Folakemi Quinteto – Ao Vivo no La Esquina Teatro Bar – RJ – 31/10/13

Não sou muito de resenhar shows, mas este senti-me na obrigação de fazê-lo.

Mas falando do que é bom, ou melhor, ESPETACULAR, vamos ao que interessa: o showzaço em si.

O Folakemi Quinteto Folakemi é formado por pela inglesa Folakemi Adelakun de Souza, e os brasileiros André Severo na guitarra, Ebano Machel no baixo, Francisco Sartori nos teclados e Júlio Diniz na bateria.

O repertório do Quinteto é variadíssimo e de excelente bom gosto. Vai de Billie Holiday, Nina Simone, Freddie Hubbard, Stevie Wonder, James Brown a Creedence Clearwater Revival e Bob Marley. Sempre imprimindo as características de seus sons à música.

Confesso que fiquei pasmo já na primeira nota que Folakemi soltou. Uma potência, uma beleza ímpar, um timbre que instantaneamente nos remete às maiores cantoras de Jazz da história. Não é à toa que já apresentou-se por diversos cantos da Inglaterra e Europa.

A cozinha não fica atrás. Banda super entrosada, tocam fácil. Por pensamento. Impressionante a coesão entre si. Até mesmo onde o som era improvisado, parecia ensaiado.

Realmente, dignos das melhores casas de Jazz do mundo.

Enfim, não adianta tentar descrever o indescritível. Mais prático desfilar os links para que vocês mesmos possam tirar suas próprias conclusões.

God Bless the Child, de Billie Holiday: https://soundcloud.com/fadelakun/god-bless-the-child

Feeling Good, de Nina Simone: https://soundcloud.com/fadelakun/feelin-good-by-nina-simone

Summertime, de George Gershwin: https://soundcloud.com/fadelakun/summertime-by-gershwin

Golden, de Jill Scott: https://soundcloud.com/fadelakun/golden-by-jill-scott

https://soundcloud.com/fadelakun

Abaixo, o link para o vídeo que fiz de Isn’t She Lovely, de Stevie Wonder:

http://www.youtube.com/watch?v=IFmOuRDkFrw&feature=youtu.be

O ponto baixo da noite foi a casa. Sem saída de emergência, sem extintores (sendo o interior todo de madeira), além do fato de não ter nada do cardápio para servir e a mais de uma hora que foi preciso para um sanduíche sair. Mas a equipe é muito cordial e simpática. Desculpou-se o tempo todo. Desculpas aceitas, só não volto mais lá.

O Folakemi Quinteto merece muito mais. Nós também.

Bernardo Falcão.

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Duas feras juntas, soltas no Quintal

Duas feras juntas, soltas no Quintal. No Quintal, como assim?
Assistir a uma apresentação conjunta de Salim e Dudu Lima, dois virtuoses da música instrumental (pleonasmo?), é  privilégio de poucos, até agora, restrito aos juizforanos. E o Quintal, um bar super interessante, que está comemorando dois anos de vida, acertou na mosca ao juntar as duas feras em um show imperdível. Bela decoração, garçons atenciosos, tira-gostos deliciosos e aquela música maravilhosa.Alguém quer mais da vida? Parabéns aos donos do Quintal, que mostraram uma visão musical e empresarial que infelizmente anda faltando a alguns proprietários de casas de shows no Rio de Janeiro e São Paulo (esta observação tem endereço certo). Pior para eles, melhor para nós!
Quando dois expoentes musicais atuam juntos, nem sempre o talento vence o ego. No caso de Salim e Dudu, isso ficou longe de acontecer. A integração e a empatia entre eles, visíveis durante todo o show, é algo que não pode ser descrito com palavras. Só sentindo e ouvindo.E o melhor, sem terem ensaiado. Dá para acreditar? Cada um viaja a seu modo e no final se encontra com o outro, em perfeita sintonia. Coisa que só os grandes são capazes de fazer.
Entre as músicas apresentadas, destaque para:
A Night In Tunisia (Dizzy Gillespie-Frank Paparelli)
Asa Branca (Luiz Gonzaga)
Fé Cega, Faca Amolada (Milton Nascimento- Ronaldo Bastos)
Eu Sei Que Vou Te Amar(Tom e Vinícius)
Bala Com Bala (João Bosco-Aldir Blanc)
Trenzinho caipira (Heitor Villa Lobos)
Now’s the time (Charlie Parker)
Agradeço ao Salim as palavras carinhosas (e um pouco exageradas) a mim dirigidas.
Que venham muitos shows mais, para deleite do público juizforano.
Salim e Dudu têm cacife para se apresentar em palcos de qualquer lugar do mundo, para as plateias mais exigentes.
Leonor Côrtes Falcão
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